Apirac Serviços Notícias Associado Newsletter Directório Fórum Destaques  
Arquivo 2009
Arquivo 2008
Arquivo 2007
Arquivo 2006
Arquivo 2005
 
 

 

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

03/11/2014

 

 

O relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC), divulgado este domingo em Copenhaga, é contundente: é preciso substituir os combustíveis fósseis por energias renováveis.

O relatório aborda, entre outras questões, que a produção de eletricidade deverá ser garantida a partir de fontes com baixas emissões de carbono em 2050. Caso contrário, o mundo enfrentará danos "severos, generalizados e irreversíveis". O documento também defende que a redução de emissões é crucial se se pretender limitar o aquecimento global a 2 graus centígrados - um limite que foi estabelecido em 2009. Para atingir este objetivo, diz ainda o relatório, as energias renováveis terão de passar dos atuais 30% para 80% no setor energético até 2050.

As Nações Unidas deixaram um aviso, depois de uma semana de intensos debates entre cientistas e representantes dos vários governos: não fazer nada terá um custo muito maior do que tomar as medidas necessárias. "Temos os meios para limitar as alterações climáticas", afirmou o presidente do IPCC R. K. Pachauri, acrescentando que "as soluções são várias e permitem manter o desenvolvimento económico e humano. Tudo o que precisamos é de vontade de mudar e confiamos que essa vontade seja incentivada pelo conhecimento e compreensão da ciência das alterações climáticas".

"A ciência falou", disse o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, reagindo à divulgação do relatório. "Não há qualquer ambiguidade na sua mensagem. Os líderes têm de agir. O tempo não está do nosso lado."

"O que foi dito é que teremos de atingir as zero emissões e isso é uma novidade", afirmou Samantha Smith do World Wildlife Fund. "Em segundo lugar, também disseram que é acessível e que não irá paralisar as economias."

O aumento do nível do mar, a acidificação dos oceanos e o degelo estão a afetar o planeta mais rapidamente do que se pensava", frisou Francisco Ferreira, elemento do grupo de energia e alterações climáticas da Quercus, considerando que, "para Portugal, os impactes serão dramáticos". "Os custos da inação são muito superiores aos custos da ação", sustentou, acrescentando, ainda, "os casos do aumento da temperatura diária máxima em oito graus celsius até final do século, a redução da precipitação e o aumento de grandes fogos florestais". Segundo Francisco Ferreira, é preciso "reduzir o risco que as alterações climáticas colocam às comunidades e aumentar a resiliência em relação aos impactes que não conseguem ser evitados".

O Quinto Relatório culminou cinco anos de trabalho científico, elaborado por 830 autores, 1.200 outros contributos e 3.700 revisões por especialistas, que resultaram na compilação de mais de 30.000 trabalhos de investigação e de 143.000 comentários.